Racista, eu? Imagina...
Prezadxs, mais um 20 de novembro se passa e esse traz um amargo diferente dos outros na boca. Hoje o @ptbrasil postou essa essa cirúrgica colocação de Angela Davis em uma outra imagem e precisei parar um pouco pra pensar sobre como tenho caminhado na esistêcia ao racismo.
Desde 2016 venho tentando ser mais ativa nos jogos politico-partidarios do meu querido Brasil, mudança motivada, principalmente, pela evidente ameaça a democracia que eu percebi já no anunciado golpe daquele ano. Em vez de participar só de eleicões plebiscitos e demandas pontuais da minha precença, eu decidi trazer a olítica pra minha casa, pra minha rotina.
Pra muita gente é difícil entender essa dimensão da política como sendo algo presente em todas as nossas possíveis existências. Mas é preciso encarar a verdade e aceitar que as nossas decisões políticas estão nos homens e mulheres que elegemos para nos representar mas tambem no recapeamento de estradas e na merenda da escola dos nossos filhos. A programação da TV é um grande termômetro da política nacional e é a política que nos confere o status de sociedade.
Demais? Talvez não. O Oxford nos diz que sociedade é "concernente a uma comunidade, a uma sociedade humana, ao relacionamento entre indivíduos etc." e que política é "arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; ciência política". Perae, para de ler por um momento e reflita sobre a relação entre os dois vocábulos. Como podemos ser seres sociais sem sermos políticos? De que forma vão se dar essas relações fora do escopo da política? è a politica que nos faz o que somos e o quanto antes aceitarmos que não só somos seres sociais mas que tambem somos seres políticos, mais cedo comecaremos a mudar a nossa realidade.
Sentar no sofá e assitir as manchetes ainda é uma opção pra alguem? É possível que sim, mas eu entendi que estava fazendo pouco e fui às ruas, discuti em bares e festas de família, briguei com colegas de trabalho, rompi relações (zero arrependimento aqui, só pra ficar claro) e faço tudo que acho válido pra ser parte da mudança desde então.
Entretanto, agora percebo que isso tem me trazido problemas de socialização graves. Veja bem, nunca deixei piada racista passar em branco. Aqui se dava, aqui se levava, mas já não consigo usar de ironia e retórica pra sinalizar o tamanho da ignorância proferida. Hoje, a vontade que tenho é de dar na cara do sujeito, seja ele quem for.
Racistas, fascistas, homofóbicos, gordofobicos, idiotas e pessoas em real carência de terapia comportamental sempre existiram e, muito provavelmente, vão seguir existindo, mas já não consigo ser indiferente a violência que perpetuam. Simplesmente não consigo mais deixar que sejam os idiotas que são! Enquanto maioria - não por que são mais fortes mas porque literalemente gerem mais recursos, são esses seres depravados que fariam Nelson Rodrigues corar e que estão desenhando o mundo onde meu filho vai crescer, onde as futuras gerações vão ler O Conto de Aia nas aulas de história e não de literatura. Quisera eu viver em um mundo em que as pessoas lessem Margaret Atwood na escola...
Mas Paulo Freire já dizia que a educação liberta e o que seria das classes dominantes se os dominados percebessem que estão em maior número e que juntos são imbatíveis? É melhor garantir que todos saiam das escolas devidamente formatados para obedecer. A pedagogia de Freire apresenta uma visão crítica do processo de ensino e aprendizagem enquanto transformador da realidade. Já pesnou se essa moda pega?
Será hora de juntar minhas coisas e ir morar no meio do mato, longe de tudo e de todos? Possivel que não... Até porque morar no mato já não é mais tão seguro quanto era para os meus antepassados de 1500. E eu tambem não quero, principalmente porque muita gente grandiosa veio antes de mim e dedicou a vida a garantir o usufruto de direitos para os grupos oprimidos.
Leu bem, usufruto de direitos. Eu não acredito em direito adquirido. Acredito em luta pela manutenção dos direitos como sendo eterna, já que a qualquer sinal de crise/fumaça/eclipse/mudança de estação, os direitos são revogados "pelo bem da nação". Vai você achando que não precisamos ser seres políticos, vai.
Não tem bastado não ser racista, não tem sido suficiente ser antirracista. O incomodo de viver em um mundo onde um ser ainda se julga superior ao outro está me tirando o sono, me impedindo de frequentar lojas e me isolando mais e mais do resto do mundo. Nunca havia antes observado tanta paz em estar só, em silêncio. Estar comigo mesma parece ser o último lugar na Terra onde não preciso entrar em conflito com alguem.
Ainda não sei o que fazer com toda essa emoção e força dentro de mim mas é garantido que ninguém pode voltar pra dentro do armário. nenhum direito a menos! tudo que foi conquistado deve ser preservado, entretanto, todu que está no lugar errado esta resistindo a mudança e se adapta pra manter os aliados entre os oprimidos. É um vírus que nos mata aos poucos enquanto se tranforma para resistir a próxima campanha de vacinação.
É possível que nunca mais eu consiga sentar pra um jantar em grupo sem colocar um espelho a frente de algum fascista praque ele se veja em sua feiura desnuda. É até curioso pensar em como eles se sentem ofendidos ao serem chamados fascistas! Me faz pensar em muitas coisas e todas giram em torno da crueldade. Então pergunto: se repete as falas fascistas, compartilha os ideais fascistas e se associa com fascistas você é um...
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